Renata Batata

Moda, customização, beleza e bem-estar

Chinesices 12/08/2008

Herói
Cena de Herói, de Zhang Yimou

 

As Olimpíadas estão por toda a parte e todo mundo está falando da China. Algumas coisas me deixam um pouco chateada em relação a esse país tão distante que acabou ficando tão próximo da minha vida.

Tudo bem que é legal você ver uma coisa bonita e se emocionar etc e tal. Mas nem tudo é o que parece ser. Depois que fiquei sabendo que a menina que tinha a voz mais bonita para cantar na cerimônia de abertura não era a menina mais bonita para aparecer para milhões de pessoas, confirmei algumas das minhas expectativas. A maioria dos chineses prefere o que é “bonito”, custe o que custar.

A menina que dublou é linda, mas a menina que cantou de verdade não podia aparecer pois não correspondia aos ideais de beleza e delicadeza esperados. Senhor Zhang Yimou, de filmes tão lindos quanto Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Lanternas Vermelhas fez o que esperavam dele e o que todos esperavam ver. Foi bonito? Fooooiii, respondem todos.

Assim como todos acham bonito passear pelas ruas “limpas” de Pequim, sem nenhum incômodo. Alguns grupos de defesa dos animais chamaram a atenção para o sumiço de cães e, especialmente, gatos das ruas da cidade (veja o vídeo). Onde foram parar todos? Para maquiar a cidade, não bastam apenas os sorrisos incansáveis de um exército treinado para fazer bonito para o visitante, também deve-se dispor das vidas que “enfeiam” os arredores. Acostumados que estão a matar todos os tipos de animais para comer, não me supreenderia saber que alguns foram parar na panela.

Os voluntários, e a população em geral, querem passar uma idéia de que o país está aberto ao mundo, que está tudo bem e que estamos vendo uma nação que é o que deveria ser. Enquanto os voluntários sorriem, algumas pessoas desesperadas cometem atos como o daquele desempregado que atacou e matou um membro da delegação americana e depois suicidou-se. As torcidas animadas nos estádios é feita por pessoas contratadas pelo governo para deixar tudo perfeito. Afinal, o que é uma competição sem barulho? Repararam no mastro especial das bandeiras olímpica e chinesa que produzia aquele ventro perfeito? As luzes, milhares de lâmpadas, acessas o tempo todo? Ninguém pensa em economizar energia elétrica quando está tudo tããããooo bonito… Será mesmo que está tudo bem?

A história é contada pelos chineses como “deveria ser” e não como é, como mostrou a cerimônia de abertura . Desconfio de tudo, infelizmente, até da mais linda poesia visual de Zhang Yimou. Poesia é essencialmente verdade e parece que a verdade não interessa a alguns chineses.

 

Euforia e tristeza… esperança? 06/06/2008

George Frederick Watts - Hope

Enquanto o “mundo”, e hoje, o Brasil, está eufórico com o lançamento do filme Sex and the City, me deparo com uma matéria na Folha sobre quanto gastam as classes A e B no Brasil. Público do filme, as pessoas que estão na classe A e encaram como ascenção social poder comprar uma bolsa de mil e poucos reais, são as que mais desperdiçam recursos tais como água e combustível.

Não é que o consumo seja um problema. O problema é como se consome. Carrie, a personagem de Sara Jessica Parker no filme e na série, é uma compradora compulsiva, que se atola em dívidas para manter seu estilo de vida e se cobrir de peças grifadas. O que tudo isso faz por uma pessoa? Ser um outdoor ambulante dá alguma respeitabilidade? Mostra que você “sabe” onde gastar seu dinheiro, conhece marcas, tendências e moda?

Shopping Cidade Jardim abrindo as portas, Sex and The City no cinema… parece que estamos cercados de luxo. Ao mesmo tempo, continua o mesmo medo de passar por algumas ruas de São Paulo à noite, continuam os pedintes no semáforo, animais abandonados continuam andando sem rumo pelas ruas. Bom, a Marta Suplicy, uma das peruas mais cafonas e inadequadas que eu já vi, já disse o que fazer numa situação dessas: o seu “relaxa e goza” foi de uma baixaria que só se iguala ao nível de quem a proferiu. Não seria ótimo se todos os que estivessem em cargos públicos (incluindo, claro, ministros, deputados, senadores e até o presidente) fossem obrigados a utilizar o transporte público, o sistema de saúde público e colocassem seus filhos para estudar em escolas públicas? Não seria ótimo se houvesse uma lei que determinasse isso? Será que a confiança desses cretinos de que “nunca na história desse país” ia mudar alguma coisa?

Enquanto me revolto, há madames gastando 3 mil reais num sapato e 5 mil numa bolsa, andando num carro blindado com motorista. Não adianta se revoltar quando o mundo (quando digo o mundo, me refiro a parte dele, não do todo) parece não ligar. Ainda mais nesse país, onde tudo parece andar ao contrário. Que pena.

Ainda temos que ver glorificadas quatro bobocas, que andam por aí com seus casacos de pele inacreditavelmente verdadeiras, gerando um time de estúpidas admiradoras. Houve quem escrevesse que, agora que estão mais maduras, estão repetindo acessórios, usando vintage e mostrando que não é preciso ter a última peça da última coleção para ter estilo. Enquanto isso não entra na cabeça de quem não pensa, só copia, dá-lhe cartão de crédito. Os recursos serão pagos mesmo pelas classes C e D, que se esfalfam para “subir” na vida e, quando e se chegarem lá, agirem igualzinho.  É de chorar.

Enquanto isso, minha esperança é como a metáfora do pintor simbolista: a esperança ainda existe, mesmo que cercada por todos os lados, cega e já sem voz, tocando uma lira com todas as cordas arrebentadas. Against all odds…

Reproduzo a seguir a íntegra da matéria da Folha de São Paulo.

 

Elite brasileira é ecologicamente inviável

 

Impacto de classes A e B sobre o ambiente no país é comparável ao dos EUA, mostra estudo de ONG

LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a organização não-governamental WWF-Brasil divulgou pesquisa em que alerta: se toda a população mundial adotasse padrão de consumo semelhante ao das classes A e B brasileiras, seriam necessários três planetas para suprir todos os recursos utilizados.

 De acordo com a pesquisa, a elite brasileira tem hábitos insustentáveis ambientalmente e exercem uma má influência ao servir como modelo de aspiração de consumo para as classes emergentes. “Afinal, todos querem ter e consumir como as classes A e B”, afirma Irineu Tamaio, coordenador do programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF.

Intitulado “Tendências e Hábitos do Consumo dos Brasileiros”, o trabalho, realizado em parceria com o Ibope, tem o objetivo de despertar a sociedade e fazê-la pensar em mudanças nos hábitos e padrões de consumo, afirma o WWF. O Ibope realizou a pesquisa em 142 municípios de todas as unidades da Federação, no período entre os dias 13 e 18 de maio. Foram entrevistadas 2.002 pessoas. A margem de erro, segundo o instituto, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Carro e banho

 Uma parcela de 13% dos entrevistados diz que o carro é o único meio de transporte. E as classes A e B gastam mais tempo no banho, também -mais de 20 minutos, para 13%, segundo o levantamento do WWF. Samuel Barreto, coordenador do programa Água para a Vida do WWF, afirma que, se esse tempo fosse reduzido pela metade, poderia ser economizada água suficiente para abastecer, por um dia, uma cidade com mais de seis milhões de habitantes (o município de São Paulo tem 11 milhões). “Isso, em uma projeção baixa, com um gasto por minuto de três litros de água por pessoa”, disse. A ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda que cada habitante use 200 litros de água para higiene pessoal, o que não inclui apenas o banho. “As ações individuais, se comparadas em escala, têm impacto ambiental muito grande”, completou.
O WWF, contudo, fez questão de ressaltar que não é contra o consumo em si, que ajuda a aquecer a economia. “É preciso mudar o hábito. A informação é muito importante, pois pequenas mudanças são essenciais para se chegar a um padrão sustentável”, afirmou Denise Hamú, secretária-geral da organização. Segundo ela, é preciso investir nas mudanças dos hábitos da população, principalmente quando se analisa padrão de consumo -cada vez mais crescente- dos quatro principais países emergentes: Brasil, China, Rússia e Índia. “Se continuarmos com esse modelo, chegaremos ao colapso”, resumiu Irineu Tamaio.
Se toda a população mundial consumisse como a média dos cidadãos dos Estados Unidos, país que mais consome e que ocupa o topo da lista de nações insustentáveis do ponto de vista do consumo, seriam necessários cinco planetas. Os EUA são, de longe, o maior emissor per capita de gases do efeito estufa. Em contrapartida, se todos adotassem o padrão da Somália, na África, sobrariam recursos naturais e não seria necessário nem ao menos um planeta -o índice seria de 0,22.

 

 

Você sabe qual o tamanho do estrago que você causa ao ambiente? 05/06/2008

Filed under: meio ambiente,reciclagem — R.T. @ 2:30 pm
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Normalmente, não ligo para datas. Aniversários, dia dos namorados, dos pais e das mães passam em branco. Ultimamente, tenho pensado nos aniversários, apenas. Acabou me ocorrendo que seria legal comemorarmos a passagem do tempo, o tempo do amadurecimento, pensar nas conquistas da vida. Acho que eu amadureci um pouco e parei de pensar como um poeta romântico, que o tempo só acaba trazendo o inevitável: a velhice e a morte. Que papo depressivo! Mas confesso que pensava assim, e por isso evitava aniversários. Hoje, olho para essas datas com carinho e agradecimento, por um amadurecimento que veio e que fez diferença na maneira de viver e enxergar as coisas.

Por que estou falando tudo isso? Simples, porque hoje é uma data que deveria ser considerada. Hoje, 5 de maio, é dia do Meio Ambiente. Sempre pensei que se algo tinha UM dia dedicado a ele, é porque no resto do tempo era esquecido, maltratado e até mesmo humilhado. Pensava assim do dia as mulheres e do dia do índio. Agora, o meio ambiente passa a ser objeto de homenagem por um dia.

Todos os dias podemos reciclar o lixo. Todos os dias podemos reutilizar sacolas. Todos os dias podemos evitar sujar as ruas, lavar a louça sem deixar a torneira aberta, plantar ou cuidar de alguma planta. Todos os dias podemos valorizar a vida, respirar e ser um pouco mais consciente do planeta que nos cerca. Parece papo de ecochato mas é verdade. Só porque professores de yoga e vegetarianos falam assim, não significa necessariamente que todo mundo precisa fazer yoga e parar de comer carne (se bem que eu não veria nenhum problema nisso…). Não precisamos ser “esquisitões” para pensar de maneira ecologicamente correta, não sujar a rua, não poluir o ar, não ter preguiça de buscar alternativas.

Enquanto isso, coloco a seguir a matéria da redação do UOL sobre a data e um link para calcular qual é o dano que estamos causando ao planeta. Não se trata do que vamos deixar para as futuras gerações. As conseqüências do nosso comportamento recairão sobre nós mesmos.

**********

Neste dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a ONG WWF-Brasil lança oficialmente em seu site uma calculadora de “pegada ecológica”. O conceito, criado na década de 1990 pelos especialistas William Rees e Mathis Wackernagel, ajuda a identificar a quantidade de recursos da natureza que usamos toda vez que fazemos compras, comemos, andamos de carro e assim por diante.

O tamanho de uma “pegada” varia de acordo com o país em que se vive. Os parâmetros analisados no cálculo incluem dados como o tamanho da população, a quantidade de florestas existentes no território, áreas de pastagens e agricultura, além das diversas formas de consumo dos habitantes

“Pesquisas mostram que o ser humano, atualmente, utiliza 25% a mais do que o planeta pode oferecer em recursos naturais”, explica Irineu Tamaio, coordenador do programa de educação para sociedades sustentáveis do WWF-Brasil. Ou seja, precisamos de um planeta e mais um quarto dele para sustentar nosso estilo de vida atual.

No Brasil, o índice segue a tendência. Já nos Estados Unidos, o estilo de vida proporciona um impacto muito maior. “Se todas as pessoas do mundo tivessem os mesmos hábitos do americano, seriam necessários cinco planetas para nos sustentar”, diz.

O cálculo da “pegada ecológica” pode ser feito no site www.pegadaecologica.org.br.

 

Leve a sacola 28/04/2008

 Bolsona feita de material reciclado - Cantão

Todo mundo sabe que agora já não tem mais desculpa para não levar uma sacola para as compras. É fácil, barato e faz um bem danado. O que eu vejo por aí é uma resistência à mudança de hábitos, porque é mais cômodo levar a sacolinha do supermercado. Qualquer atitude que esbarra na mudança de hábitos leva um tempo. Mas carregar sacolas bonitas e cheias de charme, personalizadas e customizadas não é sacrifício algum, concorda? Para as arteiras de plantão é uma oportunidade ímpar de deixar sua marca. Deixe dentro do carro para não se esquecer. Se você costuma ir fazer compras a pé (melhor ainda), deixe perto da porta, pendurada num ganchinho ou cabideiro ao lado das chaves, pra não esquecer.

E como ninguém é de ferro, naquele dia que deu um branco mesmo e a sacola ficou em casa, aproveite as sacolinhas de plástico que você usar nas lixeiras. Por piores que sejam, elas ainda levam menos tempo para se decompor na natureza do que aqueles terríveis sacos de lixo e não pesam tanto depois de cheias.

Eu mesma faço customização em sacolas de feira e já recebi muitos elogios. Estou pensando até em começar a vender… Alguém se interessa?

Leia abaixo a matéria da Folha de São Paulo:

28/04/200809h34

Consciência ambiental dá tom no nicho de “ecobags”

MARIA CAROLINA NOMURA – da Folha de S.Paulo

Se, para o consumidor comum, sair do supermercado com as compras embaladas em dezenas de sacolas plásticas é uma cena cotidiana, para o consumidor consciente, a prática é um atentado ao ambiente.

De olho nesse público e em companhias que têm ações socialmente responsáveis, empresários estão investindo em sacolas sustentáveis ou “ecobags” –que substituem as de plástico na hora da compra.

Para ingressar nesse mercado que mistura moda com sustentabilidade, Beth Salles, consultora de moda em acessórios do Senac-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), aconselha o empresário a ter criatividade. “O primeiro passo é ter acesso às matérias-primas que serão usadas no produto ou a materiais diferenciados, como tecido de fio PET”, ensina.

Há 11 anos trabalhando com sustentabilidade, a empresária Graça Rodrigues, proprietária da Ecosacolas, conta que não teve dificuldade em encontrar parceiros para a produção de suas bolsas. Atualmente, produz 5.000 itens por mês. “Meus maiores clientes são empresas de grande porte que distribuem as sacolas como brindes.”

Mercado

Apesar de parecer promissor e ser bem difundido no exterior, o empresário que entrar no mercado de sacolas sustentáveis enfrentará desafios.

Para Walfrido Neto, 30, sócio-proprietário da Ecobag.com.br, que produz cerca de 8.000 sacolas por mês, a principal dificuldade do negócio é a falta de consciência ambiental da população brasileira.

Já para José Goldemberg, 79, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), a principal barreira vem dos supermercados que ainda não aderiram à idéia das bolsas sustentáveis.

Elaine Guapo, 39, diretora comercial da Gatto de Rua, empresa de soluções promocionais, faz coro. Ela produz uma sacola de três compartimentos para ser usada no carrinho de supermercado. “Não tenho dúvida de que, se os supermercados vendessem o produto, ele estouraria nas vendas, porque é muito prático”, diz a empresária, que patenteou a sacola.

 

 
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