
“Esqueça o barro. É o vazio que faz o vaso.”
Confúcio, sábio chinês

“Esqueça o barro. É o vazio que faz o vaso.”
Confúcio, sábio chinês

O Modices publicou um Guia de Conservação de roupas muito útil, explicando todos os símbolos que a gente encontra nas etiquetas e dando dicas pra lavar e limpar nossas queridas peças.
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Acontece nesta semana o Fashion Downtown, uma semana de moda no centro de São Paulo. O Fashion Downtown não cria um “conceito” de moda, ele cria uma “identificação” de moda, expõe ao público a moda das ruas, a moda do dia-a-dia, a moda da oportunidade, enfim a moda das vitrines acessível a qualquer pessoa naquele momento. Pra quem não vai/tá longe, assista os desfiles on-line.
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O canal de notícias do Yahoo Brasil publicou uma matéria sobre Blogs de Wardrobe Remix, aqui e na gringa, com links pra conhecer o espaço de meninas fashionistas.
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O site Signature 9 fez uma lista com os 99 blogs de moda mais influentes do mundo. Só tem um brasileiro na lista, o da Erika Palomino. Clica lá pra ver os outros!
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Resumão, fotos, vídeos e tudo o que você quer ver da Semana de Moda de NY.
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Pra ler e ficar com água na boca: a moda dos cupcakes está pegando no Brasil. Tem até receita! Clica aqui!
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Feira de Artes e Artesanato Omaguás expõe cerâmica, roupas, brinquedos e acessórios
Há sete anos, a praça dos Omaguás, na região oeste de São Paulo, hospeda uma feira de artes e artesanato que reúne trabalhos variados de 70 artesãos. Lembra do post que eu fiz, contando as histórias desses artesãos? Para celebrar a data, o local promove atrações especiais, que vão até 27 de setembro, aos domingos. Imperdível!
Além de reunirem sua arte, os expositores contarão suas histórias e a da feira na programação especial de setembro. Suas observações serão intercaladas a espetáculos musicais, teatrais e circenses.
No próximo domingo (13), às 11h, quem assume o anfiteatro do espaço é o Conjunto Retratos, com repertório de choro. Às 14h, a Orquestra de Violões se apresenta, com regência de Luis Stelzer. Uma semana depois, em 20 de setembro, a Cia. Circolando comanda a festa, às 11h, com o espetáculo “Caixa de Surpresa”. Já às 14h30, os Comparsas do Nogueira apresentam jazz instrumental ao público presente.
Feira de Artes e Artesanato Omaguás – av. Pedroso de Morais, 800, Pinheiros, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3095-9526. Grátis. Dom.: 10h às 17h. Livre. Visite o site para confirmar as informações.
da Folha Online – Subprefeitura Pinheiros/Divulgação
E pra quem tá no Rio… Começou a Bienal do Livro! Vá até o site e informe-se! Não deixe de visitar!
Último filme do ciclo foi o documentário Identidade de Nós Mesmos ou Anotações para Roupas e Cidades, de Wim Wenders.

Wim Wenders acompanha Yohji Yamamoto em seu atelier, durante as provas para a coleção que será apresentada em Paris. Seu processo criativo é exposto de maneira delicada, silenciosa. Nós e o documentarista somos quase testemunhas de um momento especial, que Yamomato nos deixa assistir.
Além, é claro, do grande assunto do filme — o processo criativo de Yamamoto — há muitas argumentações paralelas: as cidades e como elas influenciam o processo, a roupa e a imaginação; o olhar do documentarista e sua avaliação da imagem que produz; a roupa e a mulher que a veste.
Trata-se de um documentário, não de uma história com começo, meio e fim. Há argumentações, não narrativas. A única coisa que tem começo, meio e fim é a produção e o desfile do estilista em Paris. Perguntar-se sobre as semelhanças e diferenças entre Paris e Tóquio, o ato de documentar, a forma como se fotografa e filma, tudo é questionado pelo diretor/narrador.
Mas vamos falar de Yamamoto… Um artista, mesmo. Um universo inteiro. Ao começar a criar para a mulher européia, ele comenta sobre as diferenças de proporção em relação ao corpo da japonesa. Além da diferença física, outros aspectos relevantes para a criação são percebidos: as emoções, a geografia, os pensamentos, o modo de vida daquela outra mulher. É outro mundo.
O processo de criação começa com a escolha do material ou com a escolha da forma. Certas formas pedem certos materiais e certos materiais pedem uma determinada forma. Cores são texturas e emoções. Por isso ele só cria em cima do preto, que para ele traz emoções mais condensadas, como a junção de todas as cores. Depois ele escolhe a matiz que será feita a peça. Mas sua paleta possui poucas cores, geralmente muito preto, algum branco e toques de vermelho.

Certas formas pedem certos materiais e certos materiais pedem uma determinada forma. Cores são texturas e emoções.
Repare no tecido estruturado do blazer e das formas drapeadas do vestido/casaco. À cada um, seu material.
Yohji gosta de ressaltar que é japonês mas não é apenas japonês. Suas roupas não tem nacionalidade. Seu estilo é a expressão de um sentimento. Por isso, é impossível copiá-lo. Sua linguagem é única e reconhecível. Ao criar uma roupa, ele busca descobrir a “essência” dela no processo de fabricação. Gosta de ser chamado de costureiro, gosta de se debruçar sobre os moldes, presta atenção nas costuras. Adora explorar as assimetrias: lembra que quando algo é simétrico, incomoda. O ser humano não é simétrico em suas emoções, em seus pensamentos e até mesmo em seu corpo. Suas peças de roupa são tão convidativas que ele gostaria que as pessoas “morassem” nelas e se identificassem a tal ponto que, se alguém visse o casaco de alguém jogado no chão, não diria “é o casaco do fulano” mas sim “é o fulano”.

Os pespontos, o preto e o branco e as assimetrias: marcas de Yamamoto.
Sobre estilo, ele deu uma aula: estilo pode ser uma prisão de repetições. Mas aceitar seu estilo te dá a chave para abrir essa prisão e tornar-se o guardião dela, deixando entrar somente o que você quer. Nesse aspecto, temos que pensar também no que passa e no que fica, o efêmero e o permanente. Vítimas do consumismo geralmente só enchem os armários de efemeridades, coisas que passarão, roupas que em nada se parecem com quem as comprou. O permanente é não apenas o clássico, mas algo prático, que dá a liberdade para quem o veste ser e exercer as funções que se propõe. Pessoas não deveriam consumir roupas, deveriam ser aquelas roupas. Claro que a moda movimenta o mundo. E moda não é apenas roupa: podem ser pessoas, filmes, livros, músicas e até mesmo prédios. E muitas vezes, moda também acomoda a necessidade: se você está morrendo de frio vai precisar de um casaco. Ele pode ser até assim ou assado, mas em primeiro lugar vem sua necessidade de não morrer de frio. Assim que as pessoas deveriam consumir. Consumindo tudo o que podem, acabam consumindo a vida e tudo que podem comprar como objetos, sem ter nem ao mesmo consciência desses objetos. No minuto em que estão na mão, já se tornam obsoletos. O consumista só quer o que ainda não tem, mesmo que já tenha muito. “Felicidade seria obrigar as pessoas a viverem de forma simples e sem comprar”, frase de Yamamoto que me soou como marketing, porque se todos obedecessem ele iria à falência. Mas concordo com a primeira parte: viver de forma simples também significa comprar menos e com mais consciência das suas necessidades.

Reparem que em suas criações a mulher aparece sempre muito verticalizada, altiva, oferecendo um destaque para o colo e o rosto. Yamamoto significa “ao pé da montanha”. Talvez seja assim que Yohji se coloque: aos pés dessa mulher ativa, trabalhadora, executiva, guerreira. Mulheres como sua mãe, que o criou sozinha depois que seu pai morreu na guerra. Aliás, a guerra incomoda Yohji. “A guerra ainda não acabou dentro de mim”, diz ele. O sentimento de luto e de falta de futuro parece assombrá-lo e revoltá-lo. Mas ele sublima a guerra dessa forma: vivendo o presente, “desenhando o tempo”, vivendo na moda de forma atemporal e anti-glamurosa. “A simetria perfeita é feia. Precisamos quebrar, destruir um pouco”. Desconstruindo linhas, construindo sonhos. Assim segue Yamamoto.
Pra conhecer mais sobre o estilista, visite o site oficial. As fotos foram tiradas daqui, daqui, daqui e daqui. Essa menina é fã dos japoneses e escreve coisas lindas. Pra pensar muito.
Nota Importante: Esse artigo foi escrito baseado nas minhas anotações do encontro. São ideias coletadas por mim mas partilhadas por todos os que estiveram presentes. Para ver os palestrantes e seus currículos, clique aqui.
Obrigada ao pessoal da PUC-SP, por promover com tanto comprometimento e profissionalismo um evento com tanta qualidade. E também por me convidar! Até o próximo!

John Frederick Peto (1854-1907), Take Your Choice, 1885, oil on canvas, John Wilmerding Collection
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“Os homens de hoje são forçados a pensar e a executar em um minuto o que seus avós pensavam e executavam em uma hora. A vida moderna é feita de relâmpagos no cérebro e de rufos* de febre no sangue. O livro está morrendo porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, à leitura de 100 páginas sobre o mesmo assunto”.
Olavo Bilac, em 1904
*rufus = ondas, no sentido metafórico.

Croquis de Desdêmona, de Christian Lacroix
O Museu de Arte Brasileira da FAAP, em parceria com o Centre National Du Costume de Scène – CNCS, Moulins, França, apresenta a exposição « Christian Lacroix – Trajes de Cena », que fará parte dos eventos do « França.Br 2009 » o Ano da França no Brasil.
Com curadoria de Delphine Pinasa, a exposição apresentará cerca de 100 trajes e desenhos originais imaginados por Christian Lacroix para óperas, ballets e peças, entre as quais: Fedra, de Racine, para a Comédie-Française, Paris, 1995 pela qual ele recebeu seu primeiro Molière; Cosi fan tutte, de Mozart, para Théâtre de La Monnaie, Bruxelas, 2006; Carmen, de Bizet, criada para Arène de Nîmes, 1989; Sherazade, ballet de Blanca Li, para a Opéra National de Paris, 2001. Também farão parte da mostra croquis, fotografias e vídeos.
Em 2008 Christian Lacroix realizou o sonho de ser curador, quando ficou à frente de duas exposições em comemoração aos 20 anos de sua maison. A primeira foi “Christian Lacroix, Histoires de Mode”, realizada no Musée dês Arts Décoratifs, em Paris. A segunda, denominada “Christian Lacroix -Trajes de Cena”, foi idealizada para o CNCS e estará em São Paulo a partir de 24 de agosto de 2009, no Museu de Arte Brasileira da FAAP. O requinte da alta costura de Lacroix já esteve presente na FAAP em 1997, quando ele apresentou suas coleções em um desfile e uma exposição.
Há mais de vinte anos, antes mesmo de criar a sua Maison de costura, Christian Lacroix trabalha com uma paixão constante nas coxias dos teatros e em seus ateliês de costura, conjugando a ciência da técnica da alta costura e o savoir-faire artesanais, truques e astucias do palco, respeito pelas obras e a sensibilidade pessoal dos interpretes. Christian Lacroix gosta de evocar seus primeiros passos na costura, já que desde jovem, ao voltar do teatro, reinterpretava os trajes que havia visto em cena.
Na exposição “Christian Lacroix – Trajes de Cena”, o público poderá conferir todo o trabalho de um dos estilistas mais prestigiados do mundo da moda e saber por que Lacroix é considerado um mágico das cores, um amante dos tecidos furta-cor, um escultor das formas e dos volumes, um alquimista das rendas, dos galões, dos ruchés. O estilista veste cantores, bailarinos e atores para dar vida a personagens de obras líricas, coreográficas e teatrais, apresentadas nos maiores palcos franceses e internacionais.
O Centre National du Costume de Scène (Centro Nacional do Traje de Cena) – CNCS, inauguardo em 1º de julho de 2006 por Rennaud Donnedieu de Vabres, Ministro da Cultura e da Comunicação, do qual Christian Lacroix é presidente, é a primeira estrutura de conservação, tanto na França quanto no exterior, a ser inteiramente consagrado ao patrimônio material dos teatros. Ele tem como missão a conservação, o estudo e a valorização de um patrimônio totalizando 7.110 trajes de teatro, de Ópera, de balé assim como telas de cenário pintadas O acervo do CNCS reúne as mais belas coleções do mundo. Ele é formado pelo acervo das três instituições fundadoras: a Biblioteca Nacional da França, a Comédie-Française e a Ópera Nacional de Paris. O traje mais antigo data da segunda metade do século XIX, e os mais recentes ainda vestem atores atuais.
Todos os gêneros estão representados: trajes militares, históricos, tutus, animais; todas as épocas, todas as técnicas de costuras e tipos de materiais Desde sua abertura, o Centro começou a construir sua própria coleção. Doações feitas por instituições como Conservatório Nacional Superior de Musica e Dança, o Ballet Atlantique e sua diretora, a coreógrafa Régine Chopinot, o Teatro Daunou e sua diretora Denise Petididier, figurinistas como Jean Paul Gautire e Christian Lacroix, vieram enriquecer a reserva técnica com preciosas coleções, aumentadas recentemente pelo vestiário da diva Régine Crespin. Uma vez que fazem parte do acervo do CNCS, estes trajes adquirem o status de obras de arte, não serão nunca mais usados e são tratados da mesma maneira que uma obra de museu. Um inventário preciso com informações detalhadas e uma fotografia de identificação acompanha cada traje.
EXPOSIÇÃO: “CHRISTIAN LACROIX – TRAJES DE CENA”
Direção Artística: Christian Lacroix
Curadoria: Delphine Pinasa, diretora do CNCS
Cenografia: Michel Albertini
Fundação Armando Alvares Penteado Museu de Arte Brasileira – MAB – Site da Exposição
Rua Alagoas, 903 Higienópolis, São Paulo – Brasil
Entrada franca
De terças a sextas das 10h00 às 20h00 Sábados, domingos e feriados das 13h00 às 17h00
O texto sobre a exposição foi retirado do site do Ministério da Cultura