Renata Batata

Moda, customização, beleza e bem-estar

Starck! 08/07/2008

Arquivar em: Bem-estar, Estilo, Tendência, meio ambiente, moda — renatabatata @ 7:30 pm
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Há quase uma semana, saiu no Caderno 2 do Estado de São Paulo uma entrevista de Chris Mello com o designer Phillipe Starck, por ocasião da Festa de Demolição do Hotel Royal Monceau – um desses hotéis palácio de Paris.

Reproduzo a seguir partes da entrevista com essa figura interessantíssima, cujo pensamento engajado, consciente e inquieto sempre surpreende. Desenhou cadeiras, sofás, luminárias, apetrechos de cozinha, motos, bicicletas, relógios… ufa! Afinal, ele já nasceu com esse nome meio explosivo. Com vocês, Starck!

Phillipe Starck
Phillipe Starck

 

O Hotel Royal Monceau foi comprado pelo francês Alexandre Allard para tranformá-lo, após um ano de reformas, em um “hotel de sensações”. Esse novo conceito se forma na cabeça de Starck, cujo trabalho no Royal Monceau irá substituir a ex-sacrossanta decoração de Jacques Garcia, que na festa foi destruída a martelada pelos convidados. No mítico jardim do hotel, onde nos anos 30 se encontravam Picabia e Picasso, Starck disse que, pela necessidade de reinventar-se, pretende se “aposentar” em dois anos para dedicar-se a algo maior do que o design democrático popularizado por ele: o décor pós-freudiano e o décor ecológico. A conversa de Starck com o Estado:

Ed Archer Chair
Ed Archer Chair

 

O que o faz pensar que tudo o que desenhou, que faz sucesso e é desejado, possa ser inútil?

De um certo ponto de vista, design é totalmente inútil. Trabalhos úteis sçao o de um astrônomo, biólogo ou aqueles que fazem diferença na vida de muita gente. Design por design, não é nada. Tentei dar a meus produtos um senso de energia. Mas, mesmo quando dava o melhor de mim, senti que era pouco. Criei um monte de coisas sem verdadeiramente me interessar. Talvez todos esses anos tenham sido necessários para que me desse conta de que no fundo não precisamos de nada. Possuímos demais. Fui um produtor de materialidade. Daqui para frente, quero ser um fabricante de conceitos. Será uma nova forma de expressão, nova arma, mais rápida, mais violenta que o design.

 

Miss Lacy Armchair
Miss Lacy Armchair

 

Por exemplo?

Passei 25 anos aplicando um conceito na época revolucionário, o do design democrático. Isso quer dizer: dar as melhores formas ao maior número de pessoas, aumentando a qualidade e baixando preços. Mas, se há 25 anos era legal falar da qualidade de uma cadeira, hoje há outras urgências. Vou usar meu savoir-faire para ser mais subversivo, ligado à política e desenvolver conceitos como o da ecologia democrática.

 

Table M16 Lamp
Table M16 Lamp

 

A escultura eólica apresentada na Feira de Milão seria a semente?

Sim. Mesmo que muita gente diga se preocupar com ecologia, o resultado é quase abstrato. Selecionar o lixo não é suficiente, assim como não basta apagar a luz ou tomar ducha em vez de banho. O importante não é só salvar, mas produzir. A única maneira que vejo de fazer design nos próximos 25 anos é unindo-o à política e ecologia. Mais complexo é entrar no combate ecológico com atitudes ligadas à economia e isso é o que me interessa. Por isso criei com o grupo italiano Pramac um departamento de alta tecnologia para a democratização da energia. O primeiro passo foi fazer a escultura eólica individual, que dá a todos a possibilidade de produzir a energia própria, assim como se faz com placas solares. Imagine algo muito comum: num sábado, um senhor vai ao supermercado e, em vez de comprar um rádio, compra esse objeto belo que vai fazê-lo economizar dinheiro e energia, produzindo a própria. A peça lembra um fouet de cozinha, é feita em policarbonato ultraleve, com um motor integrado. É um objeto impressionante pela simplicidade. Deve entrar no mercado em setembro por 300 ou 400 Euros. Espero que todos queiram participar.

Alessis Juicer
Alessis Juicer

 

Há outros projetos em desenvolvimento?

Um carro elétrico, com tecnologia revolucionária, um barco totalmente solar e uma moto híbrida solar-hidrogênio.

Vai usar esses conceitos já no Royal Monceau?

A energia é renovável, a água idem; os produtos, bio.

 Victoria Ghost Chair

Victoria Ghost Chair

 

E como esses conceitos todos aparecem no décor?

Ainda é cedo para dizer. Mas estamos fazendo o primeiro palácio francês com a idéia de uma França moderna e crítica, baseada na qualidade; não em moda, para ostentar dinheiro. Mas para promover encontros de uma tribo elegante e inteligente. Não se trata de design óbvio, mas de um espaço mental, uma decoração pós-freudiana, em que não há nada para ver, mas tudo para sentir. É uma decoração que não toca o consciente, mas o subconsciente. É uma revolução, um novo estilo ainda difícil de descrever porque está sendo criado. Mais qualitativo, cerebral, que mexe com memória sentimental. Puramente humano. Os espaços do hotel serão laboratórios de experiências: quartos com total proteção acústica e equipamentos para uma banda de rock compôr quando se trancar num deles, para um cineasta editar seus filmes, para um artista fazer arte. Será um lugar para reunir artistas, como acontecia no Royal Monceau nos anos 30, mas em versão contemporânea. Um lugar para gente que se liga pela inteligência.

 

One Response to “Starck!”

  1. [...] Philippe Starck no blog Renata Batata e Samuel Klein no site das Casas [...]


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