Estive dando uma limpada nos jornais que eu guardei da época do SPFW. Falando assim, até parece que faz uma eternidade, mas como tudo passa muito rápido nesse mundo, quando a gente vê o assunto já é outro e outros comentários são necessários.
Enfim, tenho o péssimo (ou maravilhoso) hábito de empilhar jornais. Ficam aquelas folhas mal-cheirosas, manchando de preto tudo o que tocam, empilhadas sobre alguma prateleira. De vez em quando, me dá uns cinco minutos e decido arrumar tudo: a maioria jogo fora; o que for indispensável, acabo guardando, apesar dos óbvios pontos negativos (o cheiro, as manchas…)
Num desses jornais que eu guardei, encontra-se o Estadão do dia 19 de junho, uma quinta-feira, que mostra uma reportagem com o estilista japonês Kenzo andando pelo bairro do Bom Retiro. Aliás, Kenzo foi uma dessas figurinhas que acabou meio esquecida no SPFW. Uma pena, porque além de ser muito gente boa, é um gênio da moda. Seu jeito simples, repetindo roupa, sempre com um sorriso no rosto, é muito cativante. Nascido em Kyoto, no Japão, o estilista mudou-se para Paris em 1964, depois de juntar dinheiro trabalhando como desenhista de moldes para uma revista. Na década de 70, quando abriu sua primeira loja, Jungle Jap, costumava ousar no visual. “Uma das roupas que não esqueço é uma com estampa camuflada, que usava com um casaco pink. Acho que estar na moda é justamente isso, conseguir passar uma identidade”.
Enfim, andando pela Oscar Freire, assustou-se com os preços. Já no Bom Retiro, reconheceu a Colcci (por causa da Gisele Bündchen) e achou as roupas “interessantes” e as lojas “organizadas”. Os preços praticados ali foram “justos” em sua opinião (uma calça jeans que custava R$60 mereceu esse comentário). Kenzo ficou ainda mais admirado ao saber que uma calça Diesel pode sair por mais de R$1000. “Em Paris, Diesel é barata. Não é preciso pagar muito para ficar chique”.
Kenzo não levou nada do Bom Retiro, mas bateu muita perna. Hábito que cultivo e recomendo!
Ainda estre os jornais nem tão velhos, encontro o Folhateen do dia 23 de junho e a maravilhosa coluna do O2 Neurônio. Reproduzo na íntegra o texto genial de Jô Hallack, Nina Lemos e Raq Affonso:
MEDO DA MODA
Dizem que a semana de moda é para mostrar aos lojistas, jornalistas e consumidores as novas roupas que eles poderão comprar em alguns meses. A famosa tendência. É mentira. Semanas de moda foram feitas para a gente comprovar que a humanidade é louca. Porque vemos de tudo nesses eventos freaks. Como por exemplo…
… meninas com visíveis distúrbios alimentares desfilarem pela passarela e ninguém achar isso estranho.
…as pessoas acharem estranho que a modelo Karolina Kurkova tenha um pouco de barriga e de celulite e isso virar o assunto mais comentado. Como se fosse muito exótico, uma mulher ter uma barriguinha. Sinceramente! Aproveitamos para convidar Karolina a integrar o movimento “Barriga Power”, aquele que foi criado pela gente e que defende o direito das mulheres de terem barriga de chope.
… serem lançados maiôs e biquínis que mais parecem instalações de arte contemporânea e que não servem para ir à praia, porque a onda vai levar no primeiro mergulho.
… pessoas sádicas obrigarem as modelos a se equilibrarem em cima de sapatos que parecem ter cinco metros de altura. Elas surgem cambaleantes e alguém sentado na primeira fila comenta: “Nossa, mas essas meninas não sabem nem andar direito”.
… por falar nisso, achamos superestranha essa mania que algumas pessoas têm pela primeira fila de desfiles, como se sentar em cadeiras na frente dos outros demonstrasse alguma espécie de superioridade. Tem quem diga que da fila B não dá para enxergar (hahaha). Dá, sim. Vaidade, tudo é vaidade. E às vezes, falta de noção.
Mais uma semana de moda passou e a gente olha para o nosso armário e vê que está tudo em paz. Novos modelos? Eles podem esperar!
MOMENTO DE HISTERIA: LEAVE KURKOVA IN PEACE.
Como eu sempre digo: desfiles, fotos, “tendências” são para a gente se INSPIRAR e não sair comprando como loucas. E, claro, CUSTOMIZAR também, que é uma prática saudável e ecologicamente correta. Agora, se há $$ suficiente em caixa e você quiser fazer uma extravagância, vá em frente, claro! Você merece! E tire algumas peças do guarda-roupa.
Apenas faço uma ressalva às meninas do O2: barriga de chope?? Pelamordedeus! Não é por nada, por moda, por alguém, pelo diabo, é por nós mesmas em prol de um corpo SAUDÁVEL, não sarado por si só. E viva o manequim 42! 44, 46… O importante é ser saudável e se sentir bem.






Parabéns! Muito bom mesmo!
Oi, Dulce! Obrigada pela visita e pelo comentário!
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