Renata Batata

Moda, customização, beleza e bem-estar

Euforia e tristeza… esperança? 06/06/2008

Arquivar em: meio ambiente, moda — renatabatata @ 4:14 pm
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George Frederick Watts - Hope

Enquanto o “mundo”, e hoje, o Brasil, está eufórico com o lançamento do filme Sex and the City, me deparo com uma matéria na Folha sobre quanto gastam as classes A e B no Brasil. Público do filme, as pessoas que estão na classe A e encaram como ascenção social poder comprar uma bolsa de mil e poucos reais, são as que mais desperdiçam recursos tais como água e combustível.

Não é que o consumo seja um problema. O problema é como se consome. Carrie, a personagem de Sara Jessica Parker no filme e na série, é uma compradora compulsiva, que se atola em dívidas para manter seu estilo de vida e se cobrir de peças grifadas. O que tudo isso faz por uma pessoa? Ser um outdoor ambulante dá alguma respeitabilidade? Mostra que você “sabe” onde gastar seu dinheiro, conhece marcas, tendências e moda?

Shopping Cidade Jardim abrindo as portas, Sex and The City no cinema… parece que estamos cercados de luxo. Ao mesmo tempo, continua o mesmo medo de passar por algumas ruas de São Paulo à noite, continuam os pedintes no semáforo, animais abandonados continuam andando sem rumo pelas ruas. Bom, a Marta Suplicy, uma das peruas mais cafonas e inadequadas que eu já vi, já disse o que fazer numa situação dessas: o seu “relaxa e goza” foi de uma baixaria que só se iguala ao nível de quem a proferiu. Não seria ótimo se todos os que estivessem em cargos públicos (incluindo, claro, ministros, deputados, senadores e até o presidente) fossem obrigados a utilizar o transporte público, o sistema de saúde público e colocassem seus filhos para estudar em escolas públicas? Não seria ótimo se houvesse uma lei que determinasse isso? Será que a confiança desses cretinos de que “nunca na história desse país” ia mudar alguma coisa?

Enquanto me revolto, há madames gastando 3 mil reais num sapato e 5 mil numa bolsa, andando num carro blindado com motorista. Não adianta se revoltar quando o mundo (quando digo o mundo, me refiro a parte dele, não do todo) parece não ligar. Ainda mais nesse país, onde tudo parece andar ao contrário. Que pena.

Ainda temos que ver glorificadas quatro bobocas, que andam por aí com seus casacos de pele inacreditavelmente verdadeiras, gerando um time de estúpidas admiradoras. Houve quem escrevesse que, agora que estão mais maduras, estão repetindo acessórios, usando vintage e mostrando que não é preciso ter a última peça da última coleção para ter estilo. Enquanto isso não entra na cabeça de quem não pensa, só copia, dá-lhe cartão de crédito. Os recursos serão pagos mesmo pelas classes C e D, que se esfalfam para “subir” na vida e, quando e se chegarem lá, agirem igualzinho.  É de chorar.

Enquanto isso, minha esperança é como a metáfora do pintor simbolista: a esperança ainda existe, mesmo que cercada por todos os lados, cega e já sem voz, tocando uma lira com todas as cordas arrebentadas. Against all odds…

Reproduzo a seguir a íntegra da matéria da Folha de São Paulo.

 

Elite brasileira é ecologicamente inviável

 

Impacto de classes A e B sobre o ambiente no país é comparável ao dos EUA, mostra estudo de ONG

LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a organização não-governamental WWF-Brasil divulgou pesquisa em que alerta: se toda a população mundial adotasse padrão de consumo semelhante ao das classes A e B brasileiras, seriam necessários três planetas para suprir todos os recursos utilizados.

 De acordo com a pesquisa, a elite brasileira tem hábitos insustentáveis ambientalmente e exercem uma má influência ao servir como modelo de aspiração de consumo para as classes emergentes. “Afinal, todos querem ter e consumir como as classes A e B”, afirma Irineu Tamaio, coordenador do programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF.

Intitulado “Tendências e Hábitos do Consumo dos Brasileiros”, o trabalho, realizado em parceria com o Ibope, tem o objetivo de despertar a sociedade e fazê-la pensar em mudanças nos hábitos e padrões de consumo, afirma o WWF. O Ibope realizou a pesquisa em 142 municípios de todas as unidades da Federação, no período entre os dias 13 e 18 de maio. Foram entrevistadas 2.002 pessoas. A margem de erro, segundo o instituto, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Carro e banho

 Uma parcela de 13% dos entrevistados diz que o carro é o único meio de transporte. E as classes A e B gastam mais tempo no banho, também -mais de 20 minutos, para 13%, segundo o levantamento do WWF. Samuel Barreto, coordenador do programa Água para a Vida do WWF, afirma que, se esse tempo fosse reduzido pela metade, poderia ser economizada água suficiente para abastecer, por um dia, uma cidade com mais de seis milhões de habitantes (o município de São Paulo tem 11 milhões). “Isso, em uma projeção baixa, com um gasto por minuto de três litros de água por pessoa”, disse. A ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda que cada habitante use 200 litros de água para higiene pessoal, o que não inclui apenas o banho. “As ações individuais, se comparadas em escala, têm impacto ambiental muito grande”, completou.
O WWF, contudo, fez questão de ressaltar que não é contra o consumo em si, que ajuda a aquecer a economia. “É preciso mudar o hábito. A informação é muito importante, pois pequenas mudanças são essenciais para se chegar a um padrão sustentável”, afirmou Denise Hamú, secretária-geral da organização. Segundo ela, é preciso investir nas mudanças dos hábitos da população, principalmente quando se analisa padrão de consumo -cada vez mais crescente- dos quatro principais países emergentes: Brasil, China, Rússia e Índia. “Se continuarmos com esse modelo, chegaremos ao colapso”, resumiu Irineu Tamaio.
Se toda a população mundial consumisse como a média dos cidadãos dos Estados Unidos, país que mais consome e que ocupa o topo da lista de nações insustentáveis do ponto de vista do consumo, seriam necessários cinco planetas. Os EUA são, de longe, o maior emissor per capita de gases do efeito estufa. Em contrapartida, se todos adotassem o padrão da Somália, na África, sobrariam recursos naturais e não seria necessário nem ao menos um planeta -o índice seria de 0,22.

 

 

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