Enquanto o “mundo”, e hoje, o Brasil, está eufórico com o lançamento do filme Sex and the City, me deparo com uma matéria na Folha sobre quanto gastam as classes A e B no Brasil. Público do filme, as pessoas que estão na classe A e encaram como ascenção social poder comprar uma bolsa de mil e poucos reais, são as que mais desperdiçam recursos tais como água e combustível.
Não é que o consumo seja um problema. O problema é como se consome. Carrie, a personagem de Sara Jessica Parker no filme e na série, é uma compradora compulsiva, que se atola em dívidas para manter seu estilo de vida e se cobrir de peças grifadas. O que tudo isso faz por uma pessoa? Ser um outdoor ambulante dá alguma respeitabilidade? Mostra que você “sabe” onde gastar seu dinheiro, conhece marcas, tendências e moda?
Shopping Cidade Jardim abrindo as portas, Sex and The City no cinema… parece que estamos cercados de luxo. Ao mesmo tempo, continua o mesmo medo de passar por algumas ruas de São Paulo à noite, continuam os pedintes no semáforo, animais abandonados continuam andando sem rumo pelas ruas. Bom, a Marta Suplicy, uma das peruas mais cafonas e inadequadas que eu já vi, já disse o que fazer numa situação dessas: o seu “relaxa e goza” foi de uma baixaria que só se iguala ao nível de quem a proferiu. Não seria ótimo se todos os que estivessem em cargos públicos (incluindo, claro, ministros, deputados, senadores e até o presidente) fossem obrigados a utilizar o transporte público, o sistema de saúde público e colocassem seus filhos para estudar em escolas públicas? Não seria ótimo se houvesse uma lei que determinasse isso? Será que a confiança desses cretinos de que “nunca na história desse país” ia mudar alguma coisa?
Enquanto me revolto, há madames gastando 3 mil reais num sapato e 5 mil numa bolsa, andando num carro blindado com motorista. Não adianta se revoltar quando o mundo (quando digo o mundo, me refiro a parte dele, não do todo) parece não ligar. Ainda mais nesse país, onde tudo parece andar ao contrário. Que pena.
Ainda temos que ver glorificadas quatro bobocas, que andam por aí com seus casacos de pele inacreditavelmente verdadeiras, gerando um time de estúpidas admiradoras. Houve quem escrevesse que, agora que estão mais maduras, estão repetindo acessórios, usando vintage e mostrando que não é preciso ter a última peça da última coleção para ter estilo. Enquanto isso não entra na cabeça de quem não pensa, só copia, dá-lhe cartão de crédito. Os recursos serão pagos mesmo pelas classes C e D, que se esfalfam para “subir” na vida e, quando e se chegarem lá, agirem igualzinho. É de chorar.
Enquanto isso, minha esperança é como a metáfora do pintor simbolista: a esperança ainda existe, mesmo que cercada por todos os lados, cega e já sem voz, tocando uma lira com todas as cordas arrebentadas. Against all odds…
Reproduzo a seguir a íntegra da matéria da Folha de São Paulo.
Elite brasileira é ecologicamente inviável
Impacto de classes A e B sobre o ambiente no país é comparável ao dos EUA, mostra estudo de ONG
LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA




