No mesmo dia, vejo duas notícias: uma, a abertura de grandes flagship stores (lojas que reproduzem mais do que propriamente a marca que está sendo vendida, mas seu conceito) e a abertura dos ateliers dos artistas da VIla Madalena.
Enquanto o mundo e a moda se globalizam, e pessoas de países como Japão e Brasil são capazes de sair na rua com a mesma roupa, no mesmo dia, os artistas abrem seus ateliers para que o público conheça seu processo criativo e seu modo de trabalhar.
Stella McCartney é uma das flagships ancorando por aqui até o final do ano. Gosto do trabalho e, principalmente, da forma como Stella encara a moda e os materiais. Sua opção por não usar couro nem peles é fantástica. Vegan, desenvolve uma intensa e exaustiva pesquisa de novos materiais. Claro que tudo isso tem um preço. Suas roupas não são para qualquer bolso. Mas são uma fonte de inspiração.
Os artistas da Vila Madalena – ceramistas, pintores, montadores etc – não são conhecidos do grande público. Alguns montam bijuterias para lojas “chiques” e outros vendem seus objetos no atacado, para revenda. O objetivo de visitar seus espaços de trabalho e inspiração não é comprar, mas conhecer o fazer artístico de perto, sentir o cheiro dos materiais, conversar com os pais e mães das idéias. Não se comprometem a lançar tendências, mas a produzir um trabalho autoral, cheio de personalidade, cheiros, gostos e memórias da infância.
Entrar numa flagship store pode até ser uma experiência globalizada, para sentir-se mais próximo das tendências já mundialmente nos pés, corpo e cabeça de todos. Entrar num atelier é como entrar num mundo particular, num universo íntimo, com a permissão do dono. É uma viagem muito mais interessante.
A boneca de cerâmica é da loja http://www.viladoartesao.com.br/




