Renata Batata

Moda, customização, beleza e bem-estar

Polêmica 05/05/2008

Arquivar em: opinião — renatabatata @ 9:19 pm
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Samsara

Vamos conversar: toda essa polêmica da China com o Tibet está atrapalhando um pouco. Sou muito a favor de que cada povo cuide de si próprio e acho que o imperialismo, chinês ou americano, só destrói a cultura alheia. Mas por que essa briga tem que ser nossa?

Todos os dias, encontro alguma notícia vinda do outro lado do mundo que me faz sofrer, até chorar. Porém, acho meio estranho que haja toda essa mobilização da parte de alguns grupos de direitos humanos no Brasil que queiram se envolver nessa briga com tantos problemas para resolver por aqui. Somos um país onde os direitos humanos são solenemente ignorados, as autoridades são risiveis (com honrosas exceções) e as leis são ultrapassadas. Não sou advogada nem policial, mas também me reservo o direito de falar sobre medo, violência e direitos. Quando saio à noite em São Paulo, onde eu moro, sempre fico apreensiva se alguém passa perto demais do carro parado no semáforo. Tenho medo. Não é exagero. Nunca fui assaltada, nem quero ser.

Enquanto isso, a China está destruindo a cultura do Tibet. Li um relatório onde constavam as melhorias relativas a gestão pública — esgotos, transportes, escolas — que a China implantou no Tibet. Não acho que isso amenize a situação nem desculpe a invasão. Se a China asfaltou ruas e implantou sistemas de esgoto, o que ela pediu em troca? Mesmo assim, será que o povo tibetano não seria capaz de erguer o país com as próprias mãos? Eu tenho certeza que sim. Não sei se o Tibet é atrasado. Atrasado em relação à globalização? Aos Estados Unidos? Tempo é relativo, especialmente numa quase teocracia. Se nem todo o mundo usa o mesmo calendário para marcar o tempo, como podemos julgar os “avanços” de cada um?

Enquanto o ódio à China se dissemina, esquecemos que a cultura humana se faz de contribuições. A China peca por esmagar a cultura alheia como se a dela fosse superior ou melhor. Uma cultura sempre deve ser preservada à parte do ego, simplesmente pela sua contribuição à história da humanidade. Não podemos esquecer a contribuição cultural da China, apesar de seus erros políticos. Assim como os monges gritam por liberdade para preservar a cultura e a religião deles e a maneira de verem o mundo.

Saber conviver com a diferença não é uma atitude politicamente proveitosa para a China. Não sou cientista política mas tenho direito à opinião quando digo que, em alguns lugares do mundo, ser diferente não é bom. Sempre foram vistos com maus olhos aqueles que se destacaram por proteger o coletivo através do indivíduo. Todo mundo lembra do jovem estudante enfrentando o tanque na Praça da Paz Celestial, não lembra? (Aliás, que nome mais apropriado…). Não quero generalizar e dizer que a CHINA isso, ou a CHINA aquilo. Tenho certeza que muitos chineses não gostam de ver o rumo que as coisas estão tomando, mesmo censurados pelos canais de comunicação. Há olhos e ouvidos, e também há disposição para ir atrás do que interessa.

Enquanto isso, não podemos culpar a seda e as imagens de dragão, agora identificadas com o “inimigo mortal”. Tudo tem seu lado bonito e tenho certeza que, acima da ambição e da violência dos homens, deve haver uma árvore que fincou raízes em ambos os lados da fronteira. Independência para o Tibet é importante mas estudar a cultura de ambos, legado para a humanidade, é imprescindível.

 

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