Renata Batata

Moda, customização, beleza e bem-estar

Será que dá? 02/05/2008

Arquivar em: Estilo, meio ambiente, moda, vegetarianismo — renatabatata @ 7:54 pm
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Sapatilha de Couro Vegetal

Estive vendo uns sites de moda por aí e me peguei pensando. Eram tantas bolsas e sapatos lindos, casacos e acessórios para o inverno, como boinas e gorros, e a maioria das peças tinha uma coisa que me incomodava. E essa coisa era que alguém teve que morrer para que eu me vestisse bem.

Quando circulam pela mundo fotos da matança promovida pelos canadenses às focas ou a caça indiscriminada às raposas e outros animais cuja pele e pêlo são valorizados, algumas pessoas se revoltam. É mesmo revoltante que um animal indefeso seja morto numa ação covarde pelo simples fato de que seu couro e seu pêlo sejam lindos o suficiente para que alguém queira se cobrir com eles. Mas o que dizer dos animais criados para o abate, como vacas, cobras, cabras e coelhos, tão comuns e tão menos caros que encontramos por aí?

Antes não me incomodavam, confesso, as botas de couro, as bolsas de pelica macia (feita com o couro de neonatos), os cintos e os casacos de camurça. Pensava que esse era o destino desses animais desde o dia em que nasceram: virar bolsa e sapato e ter suas carnes devoradas nos churrascos. Até que um dia isso começou a me incomodar.

Desde criança tinha nojo da carne vermelha e nunca senti prazer em “saborear” um bife. Depois de muitos anos sofrendo com aquele “mal necessário”, como todo mundo me dizia, decidi que havia alternativas para cortar de vez o consumo daquilo que tanto me incomodava. Hoje, já há alguns anos, não como mais carne, mas ainda não consegui autonomia nem $$$ suficientes para cortar de vez a carne de frango nem todos os animais que vêm do mar. É caro (ainda!) encontrar alternativas saudáveis e qualquer pessoa que leve a sério a dieta vegetariana sabe que é preciso se cuidar para não ficar no mínimo anêmico. Além disso, alguém já parou para ler o rótulo de um hambúrguer de soja? É tanto aromatizante, corante, espessante, conservante, que aquilo não pode fazer bem à ninguém. Enquanto isso, vamos nos conformando com toneladas de tofu e carne de soja bem temperadinha.

Mas o que isso tem a ver com estilo e moda? Tudo. Se moda é atitude (li isso numa contracapa de revista na propaganda de um relógio esta semana), então combina com querer preservar a vida e toda essa onda ecológica que as pessoas parecem esquecer quando olham um casaco de pele. Não subiria numa passarela gritando com um cartaz mas entendo e até apóio alguém que tenha a coragem (e o desespero) de fazer isso. Mas se as focas merecem nossa consideração, até quando o assassinato poderá ser considerado necessário para o “embelezamento” da raça humana?

Encontrei umas sapatilhas de tecido e borracha da Arezzo (no meio de infinitas opções em couro) que são lindas e fiquei um pouco aliviada. Tenho em meu guarda-roupa e na minha sapateira heranças do tempo em que eu não pensava nisso e comprava porque achava bonito. Tenho certeza que se tomar consciência é um primeiro passo, deixar de comprar é pelo menos um segundo.

Dá pra se vestir bem sem matar ninguém.

Sapatilha de Cetim

 

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